Ekta

Tenho um coração que me bate no peito. Nas mãos, a esperança de quem começa. Nos olhos um brilho indeterminado de força e de criança. E o sorriso...um manto de calma nas madrugadas.

A minha fotografia
Nome: ANNUNCIATA
Localização: Porto, Portugal

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

10 anos

Quanto tempo se passou sem estarmos juntos? Pergunto-me, como se disso dependesse manter a tua presença em mim.
Lembro-me, com a memória presente de uma menina de 13 anos, o carro preto que nos encaminhou ao teu destino e os teus olhos inocentes, sem saber o fim. Senti, que enquanto tu estavas, apenas, porque te tínhamos levado até ali, eu estava prestes a despedir-me de quem mais queria. Hoje, quem me dera, então, tê-lo sentido.
Sem adeus, sem um toque, sem sequer te dar o beijo que me obriguei a conter, despedi-me de ti, apenas com o pensamento. O mesmo que ainda hoje me leva a ti.
Na caixinha de memórias que estimo, sinto nos meus dedos os finos fios dos teus cabelos, cortados imperceptivelmente no último dia, não fosse precisar senti-los. Quatro anos que se resumem assim, umas quantas roupas que ainda conservam o teu cheiro, a tua primeira chupeta e uns poucos filamentos de cabelo em que toco com cuidado, não vá perder algum. O resto, guardo em mim, só em mim, porque ainda hoje, falar ainda me custa. Sem saber, foste o meu primeiro sonho, aquele que mais pedi e ansiei numa noite de fim de ano em que fechei os olhos e ousei implorar. E foste-me concedido, numa entrega complacente com a força de um desejo de criança. E foste o meu sol, o meu pequeno menino sol, que me iluminou, mesmo sem saber. Foste quem eu mais amei.
Quanto tempo passou? Será que disso depende manter vivo aquilo que sinto por ti? As horas esvaem-se, o tempo desfalece, tu cresces, tal como a saudade que sinto por ti.
Na memória, ainda um telefonema de um menino soluçante que suplicava entre gemidos para o pesadelo terminar…e a minha voz, tão cheia da tua, da nossa, dor. Ainda tentava esperar que o tempo ousasse voltar atrás.
Uma visita, outro carro que me transportava até ti e o meu coração palpitante de menina-mãe. Os teus olhos, de um castanho doce de mel misturado com avelã, a correrem para mim. E a fuga, o partir ao fim do dia, a última vez, rogando que não me visses. Para mim, já bastava um só sofrer. A cabeça deitada com o cansaço, a ecoar a música que me costumavas pedir para te adormecer. Nada ficou no lugar Eu quero quebrar essas xícaras Eu vou enganar o diabo
E quanto tempo se passou desde que nunca mais te vi? Os anos cresceram, a vida ganhou um outro rumo e o teu corpo cresceu. Sei que em sonhos, ainda te vejo tal e qual te deixei. Os cabelos loiros finos e brilhantes, tal como os da fotografia que conservo, viva em mim. E quantas dias já passaste? Quantas noites de frio? Sem mim…
Quantos anos passaste? Quantas velas apagaste? Hoje é só mais uma. Outra, sem mim.
Se cá estivesses, seria o teu dia, seria criança contigo, comeríamos bolo e desejar-te-ia o melhor que no mundo houver. Falaríamos de trivialidades e riamos até ser dia. Amanhã, será um novo dia para ti, para mim mais um igual. Como todos aqueles que preciso contar para estar certa de que passaram. Na minha boca, a promessa. Não me despedi. As palavras que não disse no pensamento, ficaram apenas em mim. Não disse, não quero dizer adeus. Não voltarei a encontrar-te, não o menino sorridente que guardo em mim. Ainda conservo a tua imagem nos meus sonhos e o teu cheiro. A música que cantavas com a tua vozinha infantil, ainda ecoa na minha cabeça, já erguida, e ainda te oiço em mim
Nada ficou no lugar Eu quero quebrar essas xícaras
“mana…eu quero tu…vem-me buscar…”
Que é pra ver se você volta, Que é pra ver se você vem, Que é pra ver se você olha, Pra mim...


“Meu amor, tu vais ver, como é bom sonhos ter...
Amanhã ao acordar, tudo vais querer contar
E depois, voltarás a sonhar.
Só aos Anjos, a lua sorri…”


Nada ficou no lugar Nada ficou no lugar Nada ficou no lugar…

Sábado, Maio 23, 2009

VERDE

Mais uma pérola do querido Patxi. Um poema lindo, tributo a García Lorca
Desculpem quem achar que este blog se está a tornar depósito de letras do senhor, mas a verdade é que esta merece.


Verde que te quiero verde, ¡ay!
verde que te quiero verde.
Los toros se han revelado,
la impotencia llora y llama,
y desde un río de sangre
hay una voz que reclama, ¡ay!
hay una voz que reclama
la importancia de un amigo,
poeta de cien mil lunas,
garganta dura y hombruna,
gitano de profesión, ¡ay!
por quien hoy rompo yo la voz.
Verde que te quiero verde, ¡ay!
verde que te quiero verde.
Se te escapó la mañana
por detrás de la alcazaba,
caminando ya sin prisas,
amaestrando sonrisas, ¡ay!
amaestrando sonrisas;
y se tiñeron los campos
verdes de la primavera
cuando la nación entera
cabalgó sobre tu llanto ¡ay!
Tú poeta, y ellos tantos...
Verde que te quiero verde, Cor do texto¡ay!
verde que te quiero verde.
Hoy el verso me reclama
una luz y una llamada,
un canto de cuerpo y
almacomo el que el tuyo cantaba, ¡ay!
como el que el tuyo cantaba.
Y el pueblo llora la calma,
y canta porque se ahorca,
y hace tu muerte inmortal
cada vez que alguien te nombra
Federico García Lorca.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Casa da Música, Patxi Andíon 15/05/2009

Há dias felizes na vida de uma pessoa. Para mim esse dia foi esta 6a feira, quando tive o prazer de conhecer uma das pessoas mais interessantes que conheci nos meus 24 anos de vida.
Desculpem-me os leitores, mas "me enamoré" deste homem maravilhoso. Isto foi conversado na Guarda, às 03h da madrugada de Sábado...e parece que sou eu a falar.

"Sigo pensando en mí como se de otro se tratase. Sigo preguntando 'quien és?' en lugar de 'quien soy?' Pasar el tiempo conmigo mismo me hace conocer mas cosas de mí. (...) Aúnque son las cosas que hago que mejor saben quien soy (...) No soy una improvisación constante, pero frequentemente mis actos no se parecen a mis versos. Se que casi todo me sobra. Solo ambiciono el tiempo. Consumido por la fiebre de vivir."


Se me ha dormido un sueño en el café
Perdido por el tiempo de nunca volver
La tarde en el colegio y un corazón
Clavado en el pupitre entre los dos.
Estas algo más rubia y así de pie
Pareces aún más alta de lo que pensé
Cuando tú eras la envidia y yo el por qué
Que tu padre decía me iba a perder
Quiero echar la vista atrás
Donde se encuentran
Mi plumiere y mi compás y tus trenzas
Y volver a rebuscar por un solar
Yo mis ganas de pelear y tú el susto
Que te daba no verme más a fin de curso.
Ay amor, amor primero...
y de segundo, tercero y cuarto...
Ay amor, te quise tanto
Cuando el beso era amor y el amor canto.
Amor desde el gimnasio a la excursión
Desde la geografía, amor sin razón
Amor de tinta y tiza
Amor de portal
Amor de cada día y en cada lugar.
Amor que aun ahora guardo en la piel
El beso, la caricia, el toque, temblor
Amor perdido, amor de nunca volver...
Camarero, por favor, otro café.
Dónde están, donde se encuentran
Mi plumiere y mi compás y tus trenzas
Y volver a rebuscar por un solar
Yo mis ganas de pelear y tú el susto
Que te daba no verme más
A fin de curso.
Ay amor, amor primero...
y de segundo, tercero y cuarto...
Ay amor, te quise tanto
Cuando el beso era amor y el amor canto.
(2x)
Patxi Andíon, Amor Primero
Gracías a tí, Patxi
Izzie, my person, muitas das músicas parecem escritas para nós ;)

Quarta-feira, Março 11, 2009

Silêncio

Hoje que em nós não há mais nada que duas mãos afastadas.
Agora que o silêncio não é mais que um lento desviar de cada dia. Cala a tua voz bem fundo e nada digas.
O que sinto não quer ser dito. Não é dor, nem tristeza, nem amor.
Hoje que em nós não há mais nada que as iras do coração que aqui descansa. Deposito docemente o meu silêncio sobre o solo. Também ele se cansou de amordaçar-se em temporal.
Quantas vezes disse que te amava? E gritava, pedindo-te perdão…
Agora que entre nós nada mais há que a espera, dou-te a minha voz, tão frágil e farta de agir em conspiração. Levemente, sem palavras, afasto os meus olhos dos teus desconhecidos.
Em silêncio, porque me dói falar tudo o que não digo. Se falo só te mato o coração.
Hoje que em nós não há mais nada que a mudez que asfixia, cala bem fundo essa voz e nada digas. Cansei-me de esperar no meio dos caminhos.
Desculpa ter cruzado, um dia, o teu caminho. Em silêncio peço-te perdão.
Afasto os teus olhos pelos meus tão visitados. Levemente, poiso no solo as iras do coração que aqui descansa. Não me dispas do silêncio que me veste! Prometo-te a palavra! A voz agita-se. Só por hoje, que em mim não há mais nada que o timbre em guarda, falar ainda me dói.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Encontros

Ele esperava por ela. Como quem respira, escutou-lhe os passos e viu-a aparecer.
Surgira do nada, com um à vontade sereno de quem nada teme. Olhou-a, de relance e fugiu. O coração conheceu-a e deixou de pular nos caminhos do seu peito.
Ela não queria, não esperava nada. Apenas que a deixassem solta nas planícies do seu ser. E cheirava a terra e o solo estremecia nos seus passos pelo chão.
Ele perdeu-se nas planícies do seu corpo, ela levou-se pelas aragens refrescantes do seu coração.
Era a terra precisada de ar numa aliança perfeita de elementos, numa comunhão constante de impressões.
Conheceram-se ofegantes e não mais os seus corpos se largaram.
Ela parecia ter a garganta presa com o ar. Ele sentia pisar a terra mais leve e os seus passos firmes.
Não era da natureza do ar fazer-se prisioneiro nas entranhas rudes e imutáveis da terra.
Não seria a Terra a prender a voracidade dessa vida de ar que, inevitavelmente, seguiu o seu rumo.
Levou com ele minúsculas partículas de pó, memórias infinitas do seu encontro com a terra.
E nunca mais se defrontaram!
A ela, nunca mais a viram solta nas planuras e o corpo endureceu formando-se acre e castanho. Por vezes, irrompe em tempestade. Ainda solta todo o ar contido na garganta em furacões.
O coração fez-se de fogo, consumindo-a aflito, em arrepios constantes.
No peito, um enorme vazio cor de sangue. É a alma da terra que a água não alcança. O núcleo da vida em permanente crepitar. Deito-me nela e oiço-a palpitar…

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Estrada

Abriu a porta e os olhos apertaram. Há muito que galgavam navegantes em busca de um destino.
De todas as vezes em que o rumo lhe assomara acabara sempre assim…num qualquer porto onde poisar.
Porque insistia nessas rotas que maltratam? Quantas mágoas deixara nesses portos hoje ausentes?
Entrou…
Despediu-se do caminho. Vagueara invisível nesses trilhos que secaram o seu ser.
Não queria aquele nada de solidão à beira estrada.
Esperou…
Os olhos fecharam de saudade nas lembranças dos sonhos que desbotam deprimentes.
Ali, onde a porta se descobre dentro do seu ser, o tempo não aperta, mas suporta.
Sentou-se...
Desfaz-se da memória que não tem mais que antever.
Lá fora, onde o rumo se agrilhoa entre tormentas e correntes, ainda há quem persista no vazio e rume à estrada.

Terça-feira, Novembro 25, 2008

Eu queria falar-te do pó. Desse que se lança dianteiro nos meus olhos e me apaga.
Milhões de crepúsculos sombrios que se abatem e se esgotam.
Andar com sede nos lábios e ânsias no querer. Ter um peso que transforma os meus passos neste chão.
Mas em vivência dormente, vou seguindo fechada no silêncio. Com palavras certas amordaço o que não digo em mim.
Eu queria falar-te, e não quero. Na conspiração do silêncio que me assiste, espero.
Há muito que o trajecto me deixou entre grupos e ensejos.
E não olho para trás!
Se na viagem que encetei o abismo se anunciar, espero que a vertigem não me cegue e que, no salto, me veja lá do alto: a soma de todas as coisas, a presença de todos os dias, apenas mais um eco de um vazio visceral.