quarta-feira, março 11, 2009

Silêncio

Hoje que em nós não há mais nada que duas mãos afastadas.
Agora que o silêncio não é mais que um lento desviar de cada dia. Cala a tua voz bem fundo e nada digas.
O que sinto não quer ser dito. Não é dor, nem tristeza, nem amor.
Hoje que em nós não há mais nada que as iras do coração que aqui descansa. Deposito docemente o meu silêncio sobre o solo. Também ele se cansou de amordaçar-se em temporal.
Quantas vezes disse que te amava? E gritava, pedindo-te perdão…
Agora que entre nós nada mais há que a espera, dou-te a minha voz, tão frágil e farta de agir em conspiração. Levemente, sem palavras, afasto os meus olhos dos teus desconhecidos.
Em silêncio, porque me dói falar tudo o que não digo. Se falo só te mato o coração.
Hoje que em nós não há mais nada que a mudez que asfixia, cala bem fundo essa voz e nada digas. Cansei-me de esperar no meio dos caminhos.
Desculpa ter cruzado, um dia, o teu caminho. Em silêncio peço-te perdão.
Afasto os teus olhos pelos meus tão visitados. Levemente, poiso no solo as iras do coração que aqui descansa. Não me dispas do silêncio que me veste! Prometo-te a palavra! A voz agita-se. Só por hoje, que em mim não há mais nada que o timbre em guarda, falar ainda me dói.

2 comentários:

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...

ola..pareces sempre tão triste quando escreves, talvez seja apenas uma forma de condensares a tua tirsteza em palavras escritas e depois sorrires ao mundo, pelo menos é o que eu faço por vezes admito,finjo-me narrador e passo a "batata quente" para as personagens, elas dizem o que eu queria dizer, têm medos que eu não confesso a ninguém ter,escrevo muitas vezes porque tenho medo de falar, tu não sei porque escreves,mas, talvez por ser triste e as palavras que escreves parecerem sussorrar, compreendo.Eu sei que não te conheço, mas percebo e sabe-me bem ler o que escreves, e confio o suficiente na moldura das palavras para esperar que não fiques chateada por ter vindo desabafar contigo hoje..bj